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Derrida – em nome da justiça. Do cosmopolitismo à alter-mundialização por vir
Coleção Skiagraphia's
Género Filosofia
Ano 2021
ISBN 978-989-703-265-3
Idioma Português
Formato brochura | 400 páginas | 16 x 23 cm
20,00 €
Descrição

Derrida – em nome da justiça
Do cosmopolitismo à alter-mundialização por vir
(Kant – Celan – Levinas – Derrida)

«Die Welt ist fort, ich muss dich tragen» / «O mundo acabou, [eu] tenho de portar-te» é o verso de Paul Celan que, a título de exergo, me serve aqui de fio condutor para tentar dilucidar, a par, quer a singularidade da Desconstrução derridiana, como idioma de pensamento filosófico no contexto da História da Filosofia, quer a singularidade da ousadia sonhadora da sua proposta de re-pensar o cosmopolitismo em termos de alter-mundialização por vir ou de «nova Internacional democrática», assim revolucionando o tradicional paradigma onto-fenomenológico e, mesmo, onto-teológico do político (polis).

 

Índice
Preliminar
Uma nova arca de Noé para o século XXI
I
Cosmopolitas, mais um esforço!
1. – Derrida e a promessa de um novo espírito das Luzes
II
«O mundo está longe, […]»
Para além do cosmopolitismo
– por um novo espírito alter-mundialista por vir
1. – Para além do cosmopolitismo – o espírito da Justiça
2. – «O mundo está longe» – ou os pressupostos metafísicos do cosmopolitismo
2. 1. – A paixão do animal e o destino sacrificialista
2. 2. – Origem, história e traços da tradição sacrificialista
2. 3. – A «via de saída» da tradição sacrificialista – a «via da compaixão»
III.
«[…] eu tenho de portar-te»
O meridiano po-ético da alter-mundialização por vir
1. – Celan e o meridiano po-ético
2. –Lévinas e Derrida e a «eticidade da ética»
3. – Lévinas – a ética ou o reconhecimento da “santidade” (Kadosh)
4. – O “terceiro” – a questão da justiça/direito
5. – Derrida – a Desconstrução é a justiça
6. – A justiça (ética) – o “para além” do cosmopolitismo
Bibliografia

A OPINIÃO DOS LEITORES

Em memória: Fernanda Bernardo, aqui numa breve nota à margem do seu último livro, intitulado «Derrida - em nome da justiça: do cosmopolitismo à alter-mundialização». Gostaria de partilhá-la convosco. Seria, neste espaço, evidentemente, impossível abordar todos os aspetos mais importantes deste livro, cuja leitura recomendo a todos os que se preocupam com o que se passa hoje, na barbárie em que vivemos.
(A começar pelo denso e muito belo capítulo sobre a primazia da relação heteronómica-dissimétrica que, interrompida pela instância do «terceiro», constitui, todavia, o ponto de sustentação de todo o edifício do pensamento (meta-)ético da «justiça», em Emmanuel Lévinas.
Todo o pensamento daquela «justiça» que se situa, simultaneamente, aquém e além daquela outra justiça, que nos é socialmente mais familiar, e que o direito consagra. A justiça ética, em suma, que assim «excede a justiça(-direito)» e que é, no filósofo lituano-francês, também aquela justiça que dá pelos nomes de caridade, santidade, bondade ou misericórdia).
Que nota é, então, a que quero aqui deixar?
1º É uma obra a vários títulos notável. Não é só pela solidez da sua implantação nos pensamentos discutidos, ou pela sua sagacidade crítica - coisas a que a autora de há muito nos habituou. É também pela sua meticulosidade no tratamento, pela minuciosa atenção aos assuntos que aborda, pela insistência e pela veemência com que nela se discutem e ponderam, se equacionam e toma posição sobre os problemas ali desdobrados.
2º Fernanda Bernardo é um nome bem conhecido de todos os que, quer em Portugal quer no estrangeiro (sobretudo em França, talvez, mas também no Brasil e em vários outros países), têm reconhecido, na desconstrução derridiana, a luz de um pensamento poderoso, extremamente atento e criticamente exigente, sobre os problemas do nosso tempo.
A minha apresentação dirige-se, sobretudo, a estudantes e aos que, por uma ou outra razão, nunca a leram.
3ª E aqui entra a nota a que queria chegar. Ela chama-nos, a dada altura, a atenção para uma passagem de Jacques Derrida que gostaríamos de recordar aqui. Que passagem é? Ei-la, retirada de «Mes 'humanités' du dimanche», Papier-machine. Paris: Galilée, 2001, p. 330. Ela surge citada em BERNARDO, Fernanda, «Derrida - em Nome da Justiça: do cosmo-politismo à alter-mundialização por vir». Coimbra: Palimage, 2021, pp. 205 e 206:
«As Humanidades (a língua e o livro, as obras de filosofia, da literatura, das artes, etc.) permanecem o último lugar onde pode ainda apresentar-se como tal, o princípio de uma palavra e de um pensamento livres, de uma 'questão do homem' liberta de velhos pressupostos, de novas Luzes, de uma resistência para sempre irredentista aos poderes de apropriação económica, mediática, política, aos dogmatismos de toda a espécie». Pois, como se acrescenta depois, «a humanidade (ainda a 'promessa'), a humanidade do homem é ainda um conceito novíssimo, para o filósofo que não dorme em pé» (DERRIDA: 2001, p. 324, apud BERNARDO: 2021, p. 206).
4º De forma que observa, então, mais adiante, Fernanda Bernardo (já envolvida na discussão das posições assumidas em L'animal que donc je suis, de Jacques Derrida e das suas implicações éticas (e, necessária e desejavelmente, também filosóficas e jurídico-políticas):
«É esta especificidade moderna de violência sem precedentes - industrial, mecânica, química, hormonal, genética - a que o homem tem crescentemente submetido a vida animal, agravando exponencialmente a provação do seu destino sacrificialista a que Derrida contrapõe 'o desafio da via da compaixão' a fim de postular a urgência da necessidade da incondicionalidade de uma responsabilidade e de uma humanidade enfim dignas do nome [...] um desafio que plasma o desafio da própria desconstrução [...]». (BERNARDO: 2021, p. 218)
E acrescenta, então, Fernanda Bernardo, mais adiante:
«Daí advogarmos que o mais fundamental gesto público talvez seja hoje, a par da ação consequente, o de se repensar a máquina conceptual e a axiomática que, não só determina o comportamento do homem com o animal, como institui e legitima a história e a arquitectura do instituído em geral. Daí a responsabilidade do pensamento, da Filosofia e da Universidade, tanto para a emergência das novas Humanidades, como para a emergência de uma nova 'humanidade do homem': a gizada pela responsabilidade incondicional para com a vida em geral, justamente. (BERNARDO: 2021, p. 219)
5º Ora, é também precisamente tudo isso que estará em causa, neste seu belíssimo «Derrida - em nome da 'justiça': do cosmopolitismo à alter-mundialização por vir». A começar por uma insistente crítica, é claro, ao «carno-logo-falo-centrismo» do Ocidente filosófico-cultural. Ou ao «sacrificialismo» que dele decorre, ou que ele pressupõe, ainda partilhado por todos os humanismos (o de Lévinas inclusivé, de resto, por também nele apenas se interditar, 'humanismo do outro homem', a violência e a morte exercida contra os homens, e não contra os animais).
Não por se pretender confundir, em Derrida, o animal e o humano, nunca foi disso que se tratou, mas antes por ser necessário interrogar e problematizar e, assim, deslocar a fronteira onto-teológica que os separa desde a sua génese bíblica (a par de outras fronteiras, tal como as da diferença sexual, todas elas ali sobretudo discutidas em torno de L'animal que donc je suis).
Isto para além de uma cerrada crítica aos cosmopolitismos de inspiração soberanista e inter-estatal, de tradição pós-kantiana e dependentes de tratados internacionais e politicamente fraternalistas (o que significa, por via de norma, androcêntricos), para abrir hoje espaço ao por vir, a uma outra internacional, a uma «alter-mundialização por vir»... Todos eles hoje a pensar...
 
JP Pereira

 

 

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